quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Será que os objectos, por si só, constituem a felicidade?

15.820
compras por minuto, foi o valor máximo atingido este Natal nas transacções electrónicas em Portugal. Aconteceu entre as 18 e as 19 horas do dia 21 de Dezembro. (in jornal Público)

Começo este ano de 2008 no meu blog com este número avassalador de 2007. Aqui há vinte e tal anos quando eu era garoto, isto concerteza não se passava. As prendas que actualmente se dão num minuto dariam talvez para um terço das crianças do nosso Portugalito da altura... Penso que não é exagero afirmá-lo.
Quantas e quantas vezes suspirei eu por este cubo que te mostro aqui, caro leitor(a)? Nunca vivi em abundância de brinquedos, mas dava valor a cada bocadinho que os constituía a todos, cada pedaço era importante porque era a coisa há muito almejada.

Hoje em dia dão-se estas prendas todas por minuto para comprar o afecto e o carinho dos filhos. Até ao convencer os pequenos na escolha clubística os pais presenteiam com os mais variados motivos da respectiva sociedade desportiva, para que não restem dúvidas. Vai-se lá agora tentar provar à criança por a + b que o nosso clube é o melhor do mundo... Para quê, se na verdade é mais fácil subornar objectivamente a sua escolha?

O que lamento é que muitos desses pais, hapologistas deste consumismo patético e desenfreado são também homens da minha geração que não têm forças para lutar contra a perversidade do sistema. Há que dar, mas saber dar, para que as gerações vindouras saibam valorizar devidamente as coisas que alcançam.

A título de curiosidade conto um episódio que hoje se passou comigo. Esta manhã no recomeço das aulas eu próprio acabei por abordar o tema com os meus alunos. E engraçado, o meu melhor aluno foi o único a receber 2 presentes, porque todos os outros tiveram mais de dez. E o melhor momento estava reservado para o final da aula, quando este se dirigiu a mim, perguntando: «Professor será que é correcto dizer, cultivar peixes? É que ouvi um jornalista dizê-lo na televisão...» E esta hein?

4 comentários:

Maria del Sol disse...

É triste ver o afecto e o tempo toscamente substituídos por objectos. Não só pelos filhos, que vão crescer na esterilidade afectiva, como sobretudos pelos pais, porque parecem não perceber eles próprios o tesouro que têm nas mãos quando lhes é dada a hipótese de educar uma criança para que esta mude o mundo.
E, como professor, ainda que não cumpras a função dos pais, tens um papel importante neste sentido. Deve ser comovente ver os avanços que eles fazem como pessoas de dia para dia :)

Parece que este comentário me saiu mais sentimental do que eu previa, mas não consigo evitar quando o tema é este ;)

verdades_e_poesia disse...

Sim é verdade Marisol, é congratulante fazer com que os alunos evoluam, e depois de muito trabalho ver resultados. A contribuição social para um mundo melhor passa por cada um de nós. Ainda bem que estamos em sintonia quanto a este tema ;) Beijos. Ah e o que é de nós seres humanos se não formos sentimentais? É uma das nossas melhores qualidades ;)*

aida disse...

o tão desejado cubo:)

e as coisas mais simples são sempre as melhores.

abraço.

Codinome Beija-Flor disse...

Ihhh!!!
estou duplamente perida.
Porque nunca tive fartura de brinquedos. Era doida pra ter um cubinho desse, (só consegui "Me dar" de presente depois que ganhava meu próprio salário), não bastando ainda não fu das melhores alunas e pra piorar bastante cada dia escrevo pior.
Mas, ainda não "cultivo peixes".
Abraço